
Ao cair do sol,
sempre a mesma e
estúpida solidão.
Antes, estar ou sentir-se só
resultaria em poema.
Quantas vezes, soube que
ao cair do sol
viria um poema novo,
vindo do peito congelado de
dor e agonia.
Agora,
poema nenhum chega;
chega, sim, uma denúncia da
vulnerabilidade,
da enfermidade e de
prenúncio da morte.
Ao cair do sol,
chega essa solidão que
consome as forças:
a força do
olhar,
a força de
pedir,
a força de
buscar,
a força de
levantar
o pescoço e ver o
restinho do sol ao
cair da tarde.
Itapajé(CE), 9/01/2002.

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