domingo, 23 de dezembro de 2007

LÁSTIMA



Não estou magro.
Estou triste.
Não estou gordo.
Estou muito triste
Não estou magoado.
Sou a mágoa.

Minhas dores são o
meu traspasse.
Não estou aflito.
Sou a aflição.
Minhas angústias são
meu refúgio.
Não estou apenas triste
Não sou sempre tristinho
Não nasci morto
Nasci semi-morto.
Nada qualifica ou define
minha lástima.
É deplorável a
inutilidade que sou.
O que sobra é a escassez da
euforia.
O que me nutre são sobras de
uma disforia
lastimável.

Sobral, 29/6/2003

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